GISDEAL CONEXÕES

November 1, 2026 by
Juliano Kersting

GISDEAL / SINAPSES 

EDIÇÃO 01 · OUTUBRO DE 2026 · PUBLICAÇÃO MENSAL

Da floresta aos dados

Novas conexões entre ciência, tecnologia e território

Há momentos em que uma tecnologia muda mais do que a maneira de trabalhar: ela amplia as perguntas que somos capazes de fazer. No universo geoespacial, novas formas de visualizar ambientes em 3D, interpretar imagens e integrar inteligência artificial aos fluxos de GIS estão aproximando pesquisa, campo e decisões.

É para acompanhar esse movimento que nasce o GISDEAL Sinapse: uma publicação mensal de ideias, experiências e novidades que merecem sair dos círculos especializados. Não é um catálogo de produtos. É um espaço de observação sobre como a inteligência geográfica está transformando o modo de compreender e atuar no território.

Nesta primeira edição, a jornada vai da pesquisa florestal na UFPR aos desafios do setor de energia em Foz do Iguaçu; passa por satélites, Gaussian Splatting e potencial solar; e chega a uma pergunta decisiva: o que muda quando a inteligência artificial aprende a pensar geograficamente?

NESTA EDIÇÃO
  1. Da precisão centimétrica às florestas digitais
  2. Florestas que contam sua própria história
  3. Energia, território e decisões mais inteligentes
  4. Gaussian Splatting: novas formas de explorar o mundo em 3D
  5. O Potencial Oculto (e Lucrativo) dos Telhados
  6. A IA precisa da geografia — e das pessoas
  7. GIS Day 2026: para que servem os mapas?

CIÊNCIA EM CAMPO / UFPR + BIOFIX

Da precisão centimétrica às florestas digitais

Qual é a relação entre um receptor GNSS de alta precisão e o futuro das pesquisas florestais? Ela começa na confiança dos dados coletados em campo. Posicionamento preciso conecta observações de solo, imagens aéreas e modelos usados para estudar a vegetação.

Em agosto, Juliano Kesting, CEO da GISDEAL, esteve na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, em uma agenda com pesquisadores ligados ao Biofix. O encontro abordou GNSS, técnicas RTK e sua integração com levantamentos por drones, fotogrametria e sensores utilizados na pesquisa florestal. Entre as tecnologias discutidas esteve o receptor Skadi, da Eos Positioning Systems®, parceira da GISDEAL.

O diálogo também apontou perspectivas de trabalhos experimentais na Fazenda Canguiri, associando levantamentos de precisão a diferentes tipos de cobertura florestal. São possibilidades de estudo, não resultados já concluídos. É exatamente nesse encontro entre as perguntas da universidade e as ferramentas do mercado que surgem aplicações relevantes.

Em foco: precisão de campo e observação aérea tornam os dados florestais mais comparáveis, interpretáveis e úteis para pesquisa.

↗ Para explorar: Conheça o grupo ForestEyes, da UFPR

CIÊNCIA EM CAMPO / SATÉLITES

Florestas que contam sua própria história

Uma floresta não muda somente quando árvores desaparecem. Estiagens, regeneração e alterações no vigor da vegetação também deixam sinais. Quando imagens de satélite de diferentes datas são comparadas, essas mudanças passam a contar uma história que nem sempre é visível em uma visita isolada.

O Índice de Vegetação Melhorado (EVI), aplicado a séries de imagens multiespectrais como as do Sentinel-2, ajuda a observar padrões ao longo do tempo. Mas a leitura não dispensa validação: estação do ano, nuvens, qualidade das imagens e dados de campo precisam entrar na interpretação.

No Brasil, essa combinação pode apoiar pesquisas em Mata Atlântica, reflorestamento, manejo de florestas plantadas e restauração ambiental. O olhar orbital e a medição em campo são complementares, não concorrentes.

Em foco: acompanhar séries temporais da vegetação permite formular perguntas melhores sobre conservação e manejo.

​Para explorar: Saiba mais sobre monitoramento de vegetação com EVI

GISDEAL EM MOVIMENTO / FOZ DO IGUAÇU

Energia, território e decisões mais inteligentes

Em 24 de setembro, profissionais do setor elétrico se reuniram em Foz do Iguaçu para discutir como GIS, inteligência artificial e gêmeos digitais ajudam a gerir infraestruturas complexas. O GIS Energy Summit 2026, organizado pela Imagem Geosistemas, colocou em pauta a integração entre ativos, operações e informação territorial.

Juliano Kesting participou do encontro representando a GISDEAL. Entre os assuntos apresentados estiveram análises de risco espacial, gestão da vegetação próxima a redes elétricas, digitalização de obras e conexões entre BIM, GeoBIM e gêmeos digitais.

No dia seguinte, a programação prosseguiu com uma visita técnica à Itaipu Binacional. A mensagem central do encontro é clara: conhecer a localização de cada ativo é o começo; compreender suas relações com terreno, clima, redes e pessoas é o que qualifica decisões.

Em foco: a informação geográfica ganha força quando conversa com operação, engenharia e gestão de ativos.

​Para explorar: Cobertura do GIS Energy Summit 2026

RADAR GEOESPACIAL / 3D

Gaussian Splatting: novas formas de explorar o mundo em 3D

Imagine observar uma área de interesse complexa como um centro histórico ou uma área florestal densa de vários ângulos, sem estar fisicamente no local. O 3D Gaussian Splatting é uma técnica de reconstrução visual que aproxima essa experiência de ambientes reais a partir de conjuntos de imagens.

O método foi introduzido como resultado de pesquisa científica de 2023 na área de inteligencia artificial, utiliza representações tridimensionais chamadas gaussianas para sintetizar novas vistas de uma cena. Sua qualidade visual e fluidez abrem possibilidades para documentação, comunicação técnica e exploração remota.

Convém fazer a distinção: aparência realista não significa, por si só, precisão métrica. GNSS, LiDAR, fotogrametria e controle de qualidade continuam essenciais quando o trabalho exige medições e georreferenciamento. Para a GISDEAL, a tecnologia integra uma frente de interesse e estudo, cujo potencial depende de validação e aplicações concretas.

Em foco: visualização imersiva e medição precisa podem trabalhar juntas, mas não são a mesma coisa.

​Para explorar: Pesquisa original do 3D Gaussian Splatting

RADAR GEOESPACIAL / ENERGIA

O Potencial Oculto (e Lucrativo) dos Telhados

A energia que precisamos pode estar, literalmente, sobre nossas cabeças. Em vastos parques industriais e centros de distribuição, milhares de metros quadrados de telhados poderiam ser aproveitados para a geração solar, mas a triagem física inicial desses locais costuma ser lenta e ineficiente.


É exatamente aqui que a inteligência espacial transforma o processo. A partir do uso de imagens aéreas, modelos 3D de terreno e dados geográficos, torna-se possível avaliar remotamente a insolação, prever o sombreamento ao longo do ano e mapear a conexão com a rede elétrica antes de qualquer mobilização de campo.


Para projetos desenvolvidos nos polos logísticos brasileiros, essa abordagem atua como uma ferramenta ágil de tomada de decisão. A validação espacial não descarta a necessidade de laudos estruturais e aprovações regulatórias, mas garante que os estudos técnicos aprofundados sejam focados exclusivamente nas coberturas com maior potencial e menor risco.

Em foco: a inteligência geoespacial pode reduzir a incerteza das primeiras etapas de planejamento energético.

​Para explorar: Análise espacial e potencial solar de telhados

HORIZONTES / INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

A IA precisa da geografia — e das pessoas

A inteligência artificial reconhece padrões e processa volumes enormes de informação. Mas um resultado só faz sentido quando se compreende onde o fenômeno acontece, como se relaciona com seu entorno e quem será afetado. É o contexto espacial que transforma dados em entendimento.

Essa é a reflexão de Jack Dangermond, presidente e cofundador da Esri, no artigo “AI Needs Geography—and You”. A GeoAI pode acelerar a leitura de imagens, apoiar simulações e revelar tendências, mas não substitui a responsabilidade de quem interpreta e decide.

Esse movimento já aparece nas ferramentas. Em junho de 2026, a Esri tornou disponíveis assistentes de IA para fluxos como criação de formulários no Survey123, análises no Business Analyst e tradução. Em julho, apresentou avanços em modelos fundamentais geoespaciais, capazes de apoiar diferentes tarefas com imagens e dados territoriais.

A questão mais interessante não é apenas o que a IA consegue automatizar. É como profissionais de GIS podem usar essas possibilidades com rigor científico, atenção às comunidades e julgamento humano.

Em foco: algoritmos ampliam capacidades; a compreensão do território e a decisão continuam exigindo pessoas.

↗ Para explorar: Leia o artigo de Jack Dangermond

↗ Para explorar: Assistentes de IA no ArcGIS

​Para explorar:  Modelos fundamentais geoespaciais

NA AGENDA / 18 DE NOVEMBRO

GIS Day 2026: para que servem os mapas?

No dia 18 de novembro, a comunidade geoespacial celebra o GIS Day 2026. O tema internacional, “GIS: Powering Purpose and Innovation”, convida profissionais, pesquisadores e estudantes a pensar no impacto real das tecnologias de localização e análise espacial.

Por trás de decisões sobre mobilidade, florestas, energia e infraestrutura, há profissionais conectando dados, métodos e conhecimento do lugar. É essa comunidade — e suas perguntas sobre o mundo — que a GISDEAL quer valorizar nesta primeira edição.

Na agenda: 18 de novembro de 2026.

​Para explorar:  Conheça o GIS Day

PRÓXIMA CONEXÃO

Se a geografia nos ensina alguma coisa, é que nenhuma inovação acontece fora de um lugar. Voltamos na próxima edição com novas conexões entre pesquisa, tecnologia e desafios reais — sempre com os pés no território e os olhos no que vem pela frente.

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